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De Cazuza | Sobre Cazuza
Cazuza, por ele mesmo
Cazuza



Depoimentos em 1989
Cazuza



Depoimentos em 1988
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Depoimentos em 1987
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Depoimento em 1986
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Depoimentos em 1985
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Depoimentos em 1984
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Sobre a eleição de Leonel Brizola, 1983
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Depoimentos em 1987
Cazuza - 1987
"O disco Só se for a dois, me permitiu usar uma coisa não rock'n roll. Eu tenho esse lado de cantor de churrascaria..."

"Eu morro sem o Frejat. É a paixão da minha vida. Quero fazer parceria com ele até morrer".

"Eu posso chegar num bar e conversar com a Beth Carvalho, a Elza Soares, um cara punk. Não ponho barreira em nada".

"Sou tiete de primeira hora do Caetano. Ele foi um cara que deu um aval importantíssimo no começo da minha carreira. Mas agora, com as declarações dele de que o Rio é só plumas e paêtes, foi a primeira vez que me decepcionou. Acho que ele deu uma mancada legal. Daqui a seis meses, ele volta com outra polêmica. Ele devia estar num dia não..."

"Lobão deve amar muito o Caetano. Deve se pegar com a coisa do Caetano achar a geração dele muito melhor. Mas eu tenho orgulho de fazer parte de uma geração que tem o Renato Russo, o Arnaldo Antunes, o Lobão, uma geração que acabou com essa história de que rock é bobagem".

"Sou um romântico ao contrário do Lulu Santos. Ainda não conheci a minha Scarlet".

"Continuo compondo porque sou compositor. Por acaso eu canto. Eu gravo só para registrar que fiz isso ou aquilo num certo tempo".
? - 20/03/1987


"Sempre tive horror de política, mas tem coisas que você não precisa saber, qualquer burro vê. "Brasil" é uma música crítica mas não tem nada a ver com uma fase "política". Eu simplesmente passei o ano passado (86) do lado de dentro, e quando abri a janela vi um país totalmente ridículo. O Sarney que era o não diretas virou o rei da Democracia. Os fãs de hoje são os linchadores de amanhã (frase de Millôr citada em "Vai à luta"). O Brasil é muito triste trópico".
? - 20/03/1987


"Dei uma entrevista para uma revista masculina falando de drogas e bissexualismo. Depois, todas as pessoas vinham me entrevistas queria saber mais a respeito. Só que cansei de falar sobre isso. O meu trabalho é mais interessante do que a minha vida sexual".
Maio/1987, republicado em Amiga, julho/1990


"Tenho a fantasia de ficar para sempre com uma pessoa só, ter filhos, constituir família. Mas minha vida desdiz isso".
Maio/1987 / Folha de São Paulo - 08/07/1990


"Não tenho nada a esconder. A minha vida é um livro aberto. Entendo, por exemplo, que determinados artistas não podem dar determinadas declarações, porque tem um certo compromisso com outra faixa de público, mas este não é o meu caso... Acho que as pessoas que compram meu disco e vão aos meus shows se identificam comigo porque tem um tipo de vida parecido com o meu. Nunca passou pela minha cabeça ter uma imagem. Nunca procurei isso..."

"Ter todo o público no escuro e aquela luz em cima de você, é o êxtase do narcisista. E eu sou super narcisista, mas acho que todo mundo que sobre num palco tem esse lado. Por mais que o cara não tenha vaidade, tem um lado narcisista. De forma nenhuma, considero o narcisismo ou o egoísmo um defeito. Acho que são coisas inerentes ao ser humano".

" Não há coisa que me deixe mais feliz do que quando as pessoas vão ao meu camarim, depois dos shows, para falar que a história da música é exatamente o que aconteceu com elas. Isso é muito bonito e gratifica a gente... Existe essa busca de calar-se com público. Isso é lindo".

"Acredito em Deus... ele está no pôr-do-sol, nas pessoas bonitas, legais, superanimadas... Também não acredito em outra vida. A vida é essa aqui mesmo, e a gente tem que aproveitar enquanto é tempo. Já me preocupei muito com a morte e tive medo até. Hoje, apesar de ser um assunto sobre o qual não gosto muito de falar, encaro com naturalidade, porque acredito também na energia das coisas. Na transformação das coisas em energia. Talvez até volte a este mundo, mas como outra coisa, em outra forma... sei lá".

"Acho até que, atualmente, poucos compositores falam da dor. Antigamente, tinha aos montes: Dolores Duran, Lupiscínio Rodrigues, Noel Rosa, Cartola, Maysa e tantos outros. Depois disso, pintou uma fase em que era cafona e antiquado falar do sofrimento. Não estou sendo pretensioso, não, mas vários estudiosos da música popular já me disseram que eu trouxe essa coisa da dor-de-cotovelo de volta. É claro que isso aconteceu com a moldura mais epidérmica do rock. Todo brasileiro, todo latino-americano, é pego um pouquinho pelo pé nisso de mexer na ferida do amor. E sempre gosta de temas relacionados a uma paixão que não deu certo. Esse é o lado diferente e talvez polêmico do meu trabalho".
Amiga, 06/maio/1987


"Pra compôr, não planejo absolutamente nada. Acho que sou a pessoa mais desorganizada que você pode imaginar. Tudo me acontece de sopetão, porque nunca sei como a coisa vai sair. Agora, quando a inspiração vem, sou caxias mesmo, muito sistemático. Quando sento à mesinha para trabalhar, faço mesmo. Se a idéia não pinta, puxo por ela até acontecer. Só sou disciplinado para trabalhar. Pode ser até as quatro horas da manhã. Mas se começo uma letra, ela tem que sair. Depois fico semanas melhorando as imagens, as rimas".

"Eu não me considero poeta, sou apenas um letrista para divertir o povo".

"Ao contrário de todo mundo, que fica se ressentindo 'porque ela me deixou, não sabe o que perdeu', eu não tenho medo de dizer: Eu é que fui covarde e babaca".

"Eu não conto uma histórinha, é uma coisa de parar e pensar na vida".

"Todos os que vivem no lado escuro da vida são pessoas iluminadas e me sinto mais à vontade em lugares com pessoas escrachadas do que com as mais finas".
O Globo, Jefferson Guedes, 07/maio/1987


"Não tenho vergonha de ser triste. Eu tenho o lado moleque mas também tenho o lado 'sentado à beira do caminho soltando bolha de sabão'. Mas de um tempo para cá, me cansei de temas românticos. Esse disco é muito romântico ( Só se for a Dois), é de uma fase até meio triste, mas acho que foi uma fase válida. O que aconteceu é que nas minhas letras eu tento debochar da dor, porque o rock abre essa possibilidade".

"Eu tenho um jeito de cantar blues, mas o meu modo de escrever é samba-canção".

"Quando saio na rua, pinta um personagem mais moleque, é verdade, mas acho muito chato você chegar a um lugar e ficar ouvindo as pessoas falarem mal da vida. Pô, vai a um analista então!".
Bizz, José Emílio Rondeau, maio/1987


"Não sou um poeta aleatório, e, depois como bom filho da Tropicália, não consigo admitir a barreira que as pessoas traçam para distinguir o que é e o que não deixa de ser MPB ".

"Eu sou letrista de rock por acaso. Se houvesse pintado um grupo de samba, em vez do Barão Vermelho, eu estaria compondo sambas. De qualquer forma, sou muito latino, muito passional, e minha poesia reflete isso. Posso tentar caminhar no estilo Joy Division, mas quando vou ver o resultado, está muito Cartola".

"Atualizar Lupiscínio, trazer essa tradição da poesia brasileira através de uma abordagem mais moderna, mas próxima de nossa realidade, nosso "hoje". Não posso, por exemplo, repetir Noel Rosa. Os tempos dele eram mais românticos, as pessoas pediam xícara de açucar emprestada. Hoje, as pessoas nem se olham na cara. Houve a mudança do universo comportamental, e do referencial imediato. Mas o referencial básico fundamental, essencial, para mim, para minha alma, ainda é o mesmo".
O Globo, Mauro Dias, 05/agosto/1987


"De cara fiquei meio constrangido por dividir o prêmio da Associação Brasileira dos Produtores de Discos, de melhor letrista da MPB com o Chico Buarque. Sou tarado pela obra dele, acho seu trabalho incomparável. Mas depois pensei melhor e achei que não devia menosprezar assim o meu próprio trabalho".
Agosto/1987, vários jornais